Síndrome dos Ovários Policísticos

Síndrome dos Ovários Policísticos

Síndrome dos Ovários Policísticos ou também conhecida como SOP, é uma das mais comuns desordens endócrino-metabólicas reprodutivas na espécie humana e acomete de 5 até 15% das mulheres em idade fértil, de acordo com o critério diagnóstico utilizado (Azziz, Ricardo in Fertility and Sterility® Vol. 106, No. 1, July 2016). Esta doença foi descrita em 1935 por Stein e Leventhal; é caracterizada pelo conjunto de sinais e sintomas que se apresentam, causando disfunções endócrinas e metabólicas e suas consequências.

Quais são as causas da SOP?

Como não se conhece a etiologia (causa) e os fatores totalmente envolvidos na instalação da SOP, seu diagnóstico é baseado, segundo Consenso de Rotterdam, realizado entre especialista de todo mundo, na Holanda (Rotterdam ESHRE/ASMR Sponsered PCOS Consensus Workshop Group. revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long term health risks related to polycystic ovary syndrome. Fertil Steril. 2004, 81;19-25), pela presença de pelo menos dois dos três achados descritos:

  1. Ciclos ovarianos mensais anovulatórios, ou em sua maioria no ano, caracterizando infertilidade ou irregularidades menstruais e até ausência ou atrasos maiores que 35 dias.
  2. Presença de sinais ou sintomas decorrentes da produção e ação excessiva de hormônios masculinos, ditos Androgênios, pelos ovários; ou sua presença nos exames de sangue.
  3. Aspecto ultrassonográfico micropolicisticos dos ovários, com presença de múltiplos cistos foliculares acumulados no seu contorno periférico, demonstrando a dificuldade de crescimento e ovulação destes folículos; com aumento de volume e outros sinais característicos descritos.

Como é feito o Diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos?

O diagnóstico da SOP esta baseado no Consenso de Rotterdam; é dado pela presença de duas das seguintes condições:

  1. Presença de ciclos oligo e ou anovulatórios;
  2. Presença de sinais físicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo;
  3. Aspecto micropolicistico dos ovários ao ultrassom.

Síndrome dos Ovários Policísticos: exames

Exames

Alguns exames são necessários para se chegar a um diagnostico mais preciso:

Exame físico: em que são comuns achados de pilificação de face, genital, tronco e membros e calvície de distribuição masculina (andrógina), estrias, acne, dermatite seborreica, registra-se o peso e altura, para calculo do Índice de Massa Corporal (IMC= ).

Ultrassonografia pélvica transvaginal: realizado no inicio de ciclo espontâneo (sem uso de pílulas), ou qualquer época se estiver sem menstruação há mais de 35 dias (amenorreia).

Exames de sangue: dosagens laboratoriais de FSH, LH, Estradiol, SHBG, Testosterona Total e Livre, Androstenediona, 17 OH Progesterona, S-DHEA e DHEA, TSH e T4 Livre, Prolactina, Insulina. Dosagem de Glicemia e Hemoglobina glicada, todos em jejum, preferencialmente entre o 2º e 5º do ciclo.

Principais Sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Os sinais e sintomas mais comumente descritos na SOP, podem variar dependendo da presença em maior ou menor grau de fatores relacionados, dentre os Hiperandrogenismo: presença de excesso de hormônios Androgênios;

  • Disfunção ovulatória; ausência ou redução em mais da metade dos ciclos
  • Aspecto ultrassonográfico de Ovários Micropolicísticos;
  • Anormalidade na produção e função das Gonadotrofinas (Hormônios FSH e LH, produzidos na glândula Hipófise, localizada no cérebro, que estimulam através do sangue a função ovariana);
  • Resistência ação da Insulina (hormônio produzido pelo pâncreas para controlar os níveis de glicose no sangue) e consequente hiperinsulinismo (aumento da produção e secreção de Insulina que tem sua ação reduzida sobre a glicose) compensatório.

Síndrome dos Ovários Policísticos: sintomas

A SOP pode estar relacionada a:

A SOP é considerada uma manifestação de antigo e complexo traço genético, com alto grau de hereditariedade. Múltiplos fatores determinantes estão envolvidos com a epidemiologia (prevalência) e a manifestações das apresentações clinicas (Fenótipos), resultantes do meio ambiente (condições socioeconômicas, geográficas, toxicológicas, hábitos de vida, nutricionais) e genéticos (variação gênicas, epigenéticas, raciais e étnicas).

Embora existam vários critérios para diagnosticar a SOP, o mais importante é definir claramente o fenótipo que se manifesta na apresentação em cada paciente. A SOP pode se manifestar, nas formas mais comuns da doença, em basicamente quatro fenótipos, expostos a seguir:

  1. Fenótipo A: estas pacientes tem Hiperandrogenismo clinico ou laboratorial, disfunção ovariana com desordens menstruais e anovulação, e aspecto ultrassonográfico de Ovários Micropolicísticos.
  2. Fenótipo B: nestas pacientes ocorrem o hiperandrogenismo e a Disfunção Ovariana, mas está ausente o aspecto ultrassonográfico clássico de SOP.
  3. Fenótipo C: nestes casos ocorrem o Hiperandrogenismo e o aspecto ultrassonográfico de SOP, porém não ocorre a Disfunção Ovariana.
  4. Fenótipo D: aparecem a Disfunção Ovariana e o aspecto ultrassonográfico de SOP, mas não ocorre o Hiperandrogenismo. (Lizneva, Daria et all, in Fertility and Sterility® Vol. 106, No. 1, July 2016)

 As formas clinicas do Fenotipo A e B são as mais comuns e represntam 75 a 85% dos casos de SOP; costumam ser chamadas de “formas clássicas” da SOP. Geralmente com reistencia insulinica e outras disfunções metabólicas, associadas a manifestações de Diabetes e intolerancia á glicose.

O fenotipo C, chamado “forma ovulatória” da SOP, apresentam menos disfunções metabólicas que as formas classicas A e B, mas os niveis androgênicos ainda são maiores que os da forma D.

O Fenotipo D, não manifesta Hiperandrogenismo, tambem denominada “forma não Androgênica” da SOP. Então, sem as manifestações de excesso de hormônios masculinos, tem menos disturbios metabólicos e tambem menor risco para intolerancia a glicose e Diabetes.

A SOP representa a maioria das causas de Infertilidade de origem nas Disfunções Ovarianas

Do ponto de vista reprodutivo, evidente que a maioria das pacientes com SOP, particularmente as que apresentam os Fenótipos A, B e D, evoluem com infertilidade em diferentes graus de severidade, causada pela Disfunção Ovariana. E embora a forma ovulatória, representada pelo Fenótipo C, possa engravidar com maior facilidade, é sujeita a maiores taxas de insucesso na gestação, pela ocorrência de distúrbios metabólicos e Hipertensão, além de como em todas os outras formas ter maior risco para desenvolver a Sindrome de Hiperestimulação Ovariana quando, por outros motivos, requerer tratamento de indução da ovulação.

Síndrome dos Ovários Policísticos: Tratamentos

Opções de tratamento

Para as mulheres que não tem desejo reprodutivo o uso de anovulatórios (pílulas anticoncepcionais) de ação antiandrogênica (Ciproterona, Androstenediona, Clormadinona), e seguimento ginecológico para avaliação dos efeitos nos órgãos genitais e metabolismo, e dermatológico para tratamentos cosméticos. Neste caso, o uso de drogas a base de isotretinoina, ácido retinóico e outras, são proscritas no período fértil e na gestação.

Para mulheres que desejam a gestação, a correção dos distúrbios metabólicos e ovarianos, pode ser iniciado com dieta e orientação para controle do peso e medicamentos orais, como Citrato de Clomifeno, Metformina, Mio-Inositol, sob controle médico, com resposta adequada (até 40-50% de gestação/6 meses). A anovulação que não responde a estes tratamentos pode ser tratada com correção cirúrgica dos ovários por vídeo laparoscopia (Drilling Ovariano), ou uso de Gonadotrofina em baixas doses.

Uma porcentagem (+ou- 20%) vão necessitar T.R.A com FIV, como também quando há associação de outros fatores femininos ou masculinos de Infertilidade. Neste caso o risco da Síndrome de Hiperestimulação Ovariana está presente antes e após a obtenção da gestação, sendo necessário medidas especiais de profilaxia durante a estimulação ovariana. Durante a gestação há medidas a serem tomadas para prevenção do Diabetes Gestacional, Pré-Eclampsia e outros fatores de risco gestacional.

A SOP está diretamente relacionada a várias doenças crônicas na Mulher

Tanto para Mulher que deseja engravidar, como para que não tenha este desejo ou possibilidade, a SOP deve ser tratada para:

  • Corrigir a função ovariana e diretamente a regularidade menstrual;
  • Manter a produção e equilíbrio dos hormônios femininos evitando os riscos para outras doenças que se desenvolvem na presença deste desequilíbrio, como Miomas, Endometriose, doenças do Endométrio (camada que reveste o útero internamente e que produz a menstruação), o Câncer de mama e outros.
  • Manter o equilíbrio dos hormônios femininos e androgênicos produzidos pelos ovários, evitando riscos de disfunções metabólicas, endocrinológicas e circulatórias.
  • Restaurar o ambiente hormonal para reduzir o risco da Obesidade e das doenças inestéticas associadas ao Hiperandrogenismo: Acne, Seborréia, Queda de Cabelos, Estrias e Celulite, Hirsutismo (aumento de pelos com distribuição masculina, na face, genitais, tronco e membros).

Como se prevenir?

Não há prevenção porque não se conhece a causa direta, talvez seja de ordem hereditária, mas há condições agravantes e predisponentes como:

  • Obesidade, tenta-se manter o IMC entre 19 e 30 kg/m( ideal até 25 kg/m);
  • Controle dos Lipides (Colesterol e Triglicerides) e Glicemia, com dieta e atividade física regular;
  • Combate ao Hiperandrogenismo, com uso de anovulatórios de ação antiandrogênica, nos intervalos entre as tentativas de engravidar;
  • Identificação pelo histórico familiar e presença dos sinais e sintomas precoces na adolescência (após cinco anos de vida menstrual) e orientação para correção dos efeitos.

Convivendo com a doença

Conforme descrito, o diagnóstico correto e a identificação do fenótipo representado pela SOP, individualiza-se o tratamento em função do desejo reprodutivo ou não, mas o tratamento especializado melhora o prognóstico reprodutivo e de saúde geral a longo prazo.